Espécies de bonsai18 de agosto de 202611 min de leitura

Bonsai de Ácer Japonês: Queimadura da Folha e Poda

Cuidados do bonsai de ácer japonês evitando a queimadura das folhas e a poda: sol matinal, sombra à tarde, rega correcta, pinçagem e desfolha parcial.

Grande plano de folhas vermelhas de bonsai de ácer japonês com as margens intactas e sãs
Grande plano de folhas vermelhas de bonsai de ácer japonês com as margens intactas e sãs

O ácer japonês (Acer palmatum) figura entre os bonsais de folha caduca mais cobiçados a nível mundial e é, simultaneamente, aquele que mais desilude quem se inicia. Executar bem os cuidados do bonsai de ácer japonês evitando a queimadura das folhas e a poda determina se a árvore ostentará uma copa flamejante no Outono ou apenas margens foliares castanhas e quebradiças logo a partir do pino do Verão. Este artigo analisa a causa efectiva da queimadura foliar, a forma de organizar a luz e a rega, e o calendário de poda que edifica uma ramificação fina.

Ao contrário do zimbro ou do ficus, o ácer japonês apresenta folhas finas e largas e um sistema de condução de água bastante delicado. Cultivado em vaso de bonsai pouco fundo, torna-se ainda mais frágil, uma vez que o substrato retém muito menos água do que a copa liberta por transpiração.

Porque queimam as margens das folhas do ácer japonês?

Grande plano de folhas vermelhas de bonsai de ácer japonês com as margens intactas e sãs

A queimadura foliar não constitui uma doença provocada por fungos ou bactérias. Trata-se de uma lesão fisiológica que surge quando a água perdida pelas folhas ultrapassa aquela que as raízes conseguem absorver e conduzir para cima. Os pontos mais afastados desse trajecto — as margens do limbo e as extremidades dos lóbulos — ficam privados de água em primeiro lugar, o tecido morre e adquire tonalidade castanha e quebradiça.

Quatro factores conduzem a árvore a este desequilíbrio. Em primeiro lugar, o sol intenso da tarde a incidir sobre a copa quando a temperatura do ar já subiu. Em segundo, o vento seco persistente, que eleva a transpiração e escapa habitualmente à atenção precisamente por ser imperceptível. Em terceiro, deixar o substrato secar por inteiro, ainda que uma só vez num dia de calor. Em quarto — o menos suspeitado — regar com água de elevada salinidade ou alcalinidade, cujos sais se acumulam no substrato e impedem a absorção radicular.

Importa compreender um aspecto decisivo: assim que a margem de uma folha ficou castanha, esse tecido jamais recupera. A folha queimada manterá o bordo castanho até cair no Outono. Toda a estratégia terá, por isso, de assentar na prevenção e não no tratamento. Se detectares algumas folhas a começar a queimar nas margens, entende esse sinal como a indicação para mudar a árvore de sítio de imediato, antes que a copa inteira seja atingida.

Convém igualmente distinguir a queimadura foliar do choque térmico de toda a árvore. A queimadura progride gradualmente a partir das margens; o choque térmico murcha folhas inteiras e provoca a sua queda maciça em poucas horas. Consulta os sinais de choque térmico no bonsai durante o Verão para separar os dois quadros e intervir atempadamente.

Colocação e luz: sol matinal, sombra à tarde

Sol da manhã a atravessar a folhagem do ácer, ilustrando a intensidade luminosa adequada ao bonsai

A regra de ouro para o bonsai de ácer japonês consiste em sol de manhã e sombra à tarde. A luz entre as seis e as onze horas, sensivelmente, possui intensidade moderada enquanto o ar permanece fresco, sustentando uma fotossíntese vigorosa sem provocar stress. A partir do meio-dia, e sobretudo entre as treze e as dezasseis horas, a conjugação de sol com calor elevado conduz inevitavelmente à queimadura.

Em termos práticos, coloca a árvore do lado nascente de um muro, de uma sebe ou de uma árvore de grande porte. Essa posição recebe integralmente o sol matinal e fica automaticamente à sombra quando o sol ultrapassa o zénite. Caso a varanda ou o quintal esteja exposto apenas a poente ou a sul, estende uma rede de sombreamento de trinta a cinquenta por cento por cima da árvore. Trinta por cento chegam em clima ameno; as regiões de sol forte exigem cinquenta.

As cultivares de folha vermelha e as formas de folha muito recortada (dissectum) revelam-se claramente mais sensíveis do que as de folha verde corrente. Os tipos verdes, próximos da espécie botânica, suportam talvez mais uma a duas horas de sol por dia. As cultivares variegadas com margem branca ou rosada, como a 'Butterfly', constituem o grupo mais propenso à queimadura e exigem praticamente sombra vespertina.

Um pormenor frequentemente esquecido é o calor irradiado pelo pavimento. O betão, a tijoleira e as superfícies metálicas acumulam calor ao longo do dia e devolvem-no ao vaso, elevando a temperatura do substrato mesmo com a copa sombreada. Elevar o vaso sobre um suporte de madeira com trinta a cinquenta centímetros, ou assentá-lo numa camada de gravilha húmida, reduz consideravelmente essa carga térmica.

Rega e qualidade da água para o ácer japonês

Rega com regador de crivo para manter a humidade do substrato constante no ácer japonês

O ácer japonês requer humidade constante no substrato: nem encharcado, nem completamente seco. As oscilações extremas entre seco e húmido representam o verdadeiro inimigo da folhagem do ácer. Num dia quente de Verão, um exemplar adulto em vaso pouco fundo pode necessitar de duas regas: de manhã cedo e ao fim da tarde, depois de o sol abrandar.

A verificação rigorosa faz-se introduzindo um dedo ou um pauzinho de madeira cerca de dois centímetros no substrato. Se estiver seco a essa profundidade, rega. Não regues segundo um horário rígido, porque a necessidade varia com a temperatura, a humidade do ar e o volume da copa. Ao regar, molha até a água escorrer uniformemente pelos orifícios de drenagem e repete passado um minuto, para que todo o torrão fique embebido por igual.

A qualidade da água constitui o factor mais ignorado. O ácer japonês prefere substrato ligeiramente ácido, com pH próximo de 5,5–6,5, e mostra-se muito sensível aos sais dissolvidos. A água da torneira dura ou salobra acumula sais no substrato ao longo de sucessivas regas e origina margens queimadas idênticas às da falta de água. Recolhe água da chuva sempre que possível. Se recorreres à água da rede, procede uma vez por mês a uma lavagem abundante — cerca do triplo do volume habitual — para arrastar os sais acumulados.

Nunca regues com a água retida numa mangueira exposta ao sol. Pode atingir cinquenta a sessenta graus, o suficiente para escaldar as raízes finas. Deixa correr alguns litros antes de a água tocar a árvore.

Poda de estrutura: definir o esqueleto durante o repouso

A poda do ácer japonês reparte-se em dois trabalhos totalmente distintos, com épocas distintas. A poda de estrutura incide sobre os ramos mais grossos e fixa o esqueleto geral; só deve realizar-se com a árvore em repouso, ou seja, após a queda da folha e antes de os gomos começarem a inchar.

O motivo para aguardar o repouso é bastante concreto: o ácer japonês sangra seiva com enorme intensidade. Cortar um ramo grosso na Primavera, com a seiva em movimento, origina vários dias de sangramento contínuo, debilita a árvore e agrava o risco de secamento regressivo. Em pleno Inverno o fluxo de seiva encontra-se praticamente parado e a ferida cicatriza de forma limpa.

No trabalho de estrutura, interpreta a árvore despida como se fosse uma planta de projecto. Elimina os ramos que sobem na vertical a partir da face superior de um ramo horizontal, os que pendem a direito para baixo, os que atravessam o tronco e os pares que nascem do mesmo ponto, dado que provocam um engrossamento inestético na inserção. Privilegia os ramos que se abrem para fora e afinam à medida que sobem.

Corta os ramos grossos rente e ligeiramente côncavos, para que o calo consiga fechá-los. Sela qualquer ferida com mais de um centímetro de diâmetro. Se após a poda de estrutura pretenderes reorientar ramos com arame, consulta a técnica de aramação a 45 graus que evita marcar a casca — a casca do ácer japonês é fina e marca com enorme rapidez.

Pinçagem para uma ramificação fina em crescimento

Raminho de ácer japonês com pares de folhas verdes opostas a assinalar o ponto de pinçagem

Se a poda de estrutura constrói o esqueleto, a pinçagem durante o crescimento confere a subtileza que torna um ácer belo. A finalidade consiste em forçar divisões sucessivas, convertendo um ramo grosseiro numa rede de raminhos semelhante a renda — a característica mais apreciada no bonsai de ácer japonês.

A técnica base designa-se pinçagem por pares de folhas. O ácer japonês produz folhas opostas e, na axila de cada par, aloja-se um gomo dormente. Quando um rebento novo já estendeu três a quatro pares de folhas, corta a extremidade com uma tesoura fina, mantendo apenas o primeiro par ou os dois primeiros. A árvore lança então dois rebentos novos a partir das axilas do par conservado, e uma extremidade passa a duas. Repetido ao longo de várias vagas de crescimento, este procedimento multiplica a densidade dos raminhos.

És tu que determinas a direcção dos novos raminhos ao escolheres o par a conservar. O eixo em que se situar o último par mantido será o eixo seguido pelos dois rebentos novos. Conserva um par horizontal para raminhos abertos; conserva um par vertical para raminhos ascendentes.

Não pinces a árvore de modo uniforme. As zonas frágeis — ramos inferiores e raminhos interiores — precisam de crescer livremente durante mais tempo para recuperarem vigor, ao passo que o ápice e os ramos exteriores, naturalmente mais fortes, exigem pinçagem precoce e firme. Este princípio de equilíbrio impede que a árvore fique pesada em cima e débil na base.

Desfolha parcial: quando praticá-la e quando evitá-la

Desfolhar significa cortar folhas no início do Verão para forçar uma segunda rebentação mais pequena e permitir que a luz alcance os raminhos interiores. É uma técnica poderosa e aquela de que mais se abusa no ácer japonês.

A norma segura consiste em fazê-la sempre parcial, nunca total. Retira aproximadamente trinta a cinquenta por cento das folhas, incidindo nas grandes do ápice e da superfície exterior da copa, que são as que sombreiam o interior. Deixa intacta a folhagem dos ramos frágeis e do interior profundo. Corta o pecíolo com tesoura, deixando cerca de cinco milímetros de pé; não arranques as folhas puxando, pois danificarias o gomo dormente da axila.

A única janela adequada estende-se do início a meados do Verão, quando a rebentação primaveril endureceu por completo e resta ainda estação suficiente para que a nova rebentação amadureça antes do Outono. Desfolhar tardiamente, no final do Verão, produz rebentos tenros incapazes de endurecer antes do frio e propicia o secamento regressivo.

Desfolha unicamente árvores saudáveis. Os exemplares transplantados no mesmo ano, os que acabaram de sofrer poda de estrutura acentuada, os que denotam sinais de debilidade e os que se encontram sob pressão de pragas ou doenças devem ficar de fora. A esses concede uma estação inteira para reunirem forças e reconsidera a operação no ano seguinte.

Substrato, transplante e cuidados sazonais

Bonsai em vaso branco vidrado a ilustrar recipientes pouco fundos e substrato drenante

A mistura de substrato condiciona em larga medida a resistência à queimadura, porquanto regula em simultâneo a retenção de água e o arejamento. Uma fórmula corrente para o ácer japonês combina akadama, pedra-pomes e lava numa proporção aproximada de 2:1:1. A akadama retém humidade e apresenta reacção ligeiramente ácida, o que corresponde ao pH preferido pelo ácer. Em climas quentes, aumenta a fracção de akadama para prolongar a retenção; em climas chuvosos, aumenta a pedra-pomes para melhorar a drenagem.

Transplanta no final do Inverno ou no início da Primavera, quando os gomos começam a inchar mas ainda não abriram. Os exemplares jovens de dois em dois anos; os adultos de três em três ou de quatro em quatro. No transplante, reduz cerca de um terço da massa radicular, cortando preferencialmente as raízes grossas de fixação e preservando as raízes finas absorventes. Uma árvore acabada de transplantar necessita de sombra plena durante duas a três semanas e de nenhuma adubação no primeiro mês.

Aduba com NPK equilibrado ao longo de toda a estação de crescimento, mas suprime o azoto a partir do final do Verão. O azoto tardio impele crescimento tenro que não endurece antes do frio e esbate a coloração outonal. A partir do final do Verão, passa a um adubo com maior teor de fósforo e potássio, para que a árvore constitua reservas nos ramos e nas raízes.

O Outono é a altura em que o ácer japonês retribui cada cuidado com folhagem vermelha e alaranjada intensa. Para que a cor atinja o máximo, a árvore necessita de um contraste térmico nítido entre o dia e a noite e de bom sol matinal. Depois da queda da folha entra em repouso e as raízes reclamam protecção contra a geada — lê os cuidados outonais do bonsai na preparação do repouso para a sequência integral.

Calendário sazonal de cuidados do ácer japonês

Folhas de ácer japonês a tornarem-se vermelhas e alaranjadas no Outono após um ano de cuidados correctos

Reunir o ano completo num único quadro ajuda a não deixar escapar nenhuma janela decisiva.

O final do Inverno constitui a época da poda de estrutura e do transplante. A árvore despida exibe o esqueleto com nitidez e, com a seiva parada, as feridas cicatrizam depressa. É também o momento de aramar os ramos mais grossos para os posicionar.

A Primavera centra-se na protecção da rebentação nova. As folhas de ácer acabadas de abrir são extremamente delicadas e queimam tanto ao sol como ao vento. Mantém a árvore resguardada até as folhas endurecerem, retoma a rega regular e inicia a adubação diluída assim que as folhas estiverem inteiramente abertas.

O Verão representa a fase mais exigente na prevenção da queimadura: sombra à tarde, rega duas vezes por dia, verificação da humidade do substrato ao meio-dia, além da pinçagem e da desfolha parcial no início da estação. É igualmente a altura de vigiar de perto o ácaro-aranha, que prolifera com calor seco e desbota a folhagem do ácer.

O Outono implica reduzir gradualmente a água à medida que o crescimento abranda, cortar o azoto e desfrutar da cor. Após a queda da folha, limpa as folhas caídas da superfície do substrato para evitar que os fungos hibernem, e transfere depois a árvore para um local resguardado do vento frio e da geada ao nível das raízes.

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